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Lambada Amazônica luta por reconhecimento.

quarta-feira, abril 06, 2011 Postado por Serafim...Val Jr.
João Gonsalves, um dos precursores do ritmo (Foto: Marco Santos)
Falar sobre João Gonsalves é um exercício de memória. Especialmente para ele. O músico de 60 anos, 43 de carreira, ainda titubeia ao relembrar, por exemplo, a data de lançamento de seu primeiro compacto, que trouxe as músicas “Lambada da Vassoura” e “Lambada do Paulo Ronaldo”. As composições, de autoria do radialista Paulo Ronaldo, foram gravadas por João e sua banda, Os Populares de Igarapé-Miri, após vencerem o concurso de calouros do programa “Show dos Bairros”. O ano teria sido 1971. De acordo com o músico, e disso ele não tem dúvidas, aquela seria a primeira vez que alguém usaria o termo “lambada” para definir um ritmo.

“Usávamos o termo ‘lambada’ para um tipo de música que teria sucesso na rádio. Era como algo garantido, certeiro”, conta João Gonsalves. “Esse foi o primeiro disco de lambada gravado. Só depois vieram os outros: Vieira, Pinduca...”, diz ele.

O registro do disco que seria o elo perdido entre o carimbó e a lambada se perdeu no tempo. Oficialmente, quem gravou a primeira lambada foi Pinduca: “Lambada (Sambão)”, no álbum “Pinduca no Embalo do Carimbó e Sirimbó – Volume 5”, lançado pela Som Indústria e Comércio S/A, em 1976. Mas isso não quer dizer que não haja controvérsias.

Vieira teria sido o precursor do ritmo com o disco “Lambada das Quebradas”. Apesar de ter sido gravado em 1975, o músico, que era contratado da gravadora Continental, a mesma de Pinduca na época, teve o lançamento do seu disco adiado para 1978, por conta de uma jogada de marketing da empresa.

“Pinduca e Vieira gravaram na mesma época, mas por uma questão de privilégio, o Pinduca, que era o artista de maior nome da Continental, teve seu disco lançado primeiro. Pinduca era melhor de relações públicas”, afirma Pio Lobato, músico e pesquisador de ritmos paraenses.

Em 2002, Pio foi responsável pelo revival do gênero musical, rebatizado de guitarrada, unindo Vieira, Aldo Sena e Curica no grupo Mestres da Guitarrada. “O negócio é que agora todo mundo quer ser o pai da criança”, diz.

PIONEIRO

Entretanto, é inegável que João Gonsalves é um dos precursores do estilo. Popularizada no Brasil e no mundo nos anos 80 sob o rótulo de lambada, a guitarrada é uma técnica na qual a guitarra solo faz o papel principal, embalada por ritmos como a cúmbia, o merengue e o carimbó.

Segundo Pio, João Gonsalves seria uma referência fundamental. Em 1967, no município de Igarapé-Miri, a 78 km de Belém, ele criaria o primeiro grupo de lambada da história da música. João tinha 17 anos.

Músico incrementa estilo com o rock

O grupo começou se apresentando nos bailes e quermesses da redondeza, tocando “jazz”, que na prática pouco tem a ver com o ritmo instrumental americano. “Era carimbó, choro, marcha militar e música caribenha. Tinha também rock e iê, iê, iê, que depois virou o brega. Fizemos sucesso porque era novidade banda elétrica. Já tínhamos guitarra, contrabaixo, bateria, pistão e saxofone”, relembra.

Os Populares de Igarapé-Miri foram a escola de muitos guitarreiros da região, como Oseas e Aldo Sena, que entrou no estúdio pela primeira vez aos 19 anos, como guitarra base da banda, no disco “Lambadas Incrementadas”, lançado pela KTL do Brasil, em 1974.

Nas contas de Gonsalves, foram doze LPs gravados entre as décadas de 1970 e 1980, sendo um compacto pela Pan, em 1974, os oito volumes da série “Lambada Incrementada” pela Copacabana e um pela CBS, em 2000.
“Depois dos anos 80, as coisas já não estavam tão boas. Ficou cada vez mais difícil fazer show. Sempre fazíamos o circuito das casa noturnas de Belém, como Royal, Pagode Chinês, Lapinha, São Jorge, Palácio dos Bares. Quando as bandas começaram a usar o teclado eletrônico, começou a baratear o contrato. Ninguém queria mais saber de conjunto”, fala João.

ESCOLA DO ROCK

Mesmo com o interesse do público renovado graças aos Mestres da Guitarrada, João pouco usufruiu do sucesso. Ficou quatro anos sem gravar, e o jejum só foi quebrado em 2004, com o CD “O Lambadão”, pela Paradoxxx.

Apenas três anos depois, a incursão na era digital rendeu frutos. Com seus vinis fora de catálogo, o CD foi a porta de entrada para reacender o interesse pelo músico. Em 2008, o Instituto de Artes do Pará (IAP), órgão ligado ao Governo do Estado, realizou uma oficina de técnica de guitarrada, ministrada por João.

No mesmo ano, ele gravou o CD de inéditas “Guitarra de Ouro”, com os Populares de Igarapé-Miri, pelo selo Ná Music. O trabalho, com 17 músicas instrumentais, adiciona pitadas de rock ao estilo.

“Existem diferentes escolas de guitarrada. Mestre Vieira, que vem de uma geração anterior à de João Gonsalves, é mais influenciado pela linha do choro, enquanto João aprendeu a tocar com a Jovem Guarda. Ele faz parte da escola do rock”, analisa Pio.

“É como diz a música: é a evolução da lambada”, define João Gonsalves, fazendo referência a uma faixa do seu último trabalho. “Quero meter até distorção na lambada. Já falei para o meu filho (João, ex-baixista da banda punk Delinqüentes e atual integrante do Zuera de Fumanchú) para deixar meu som mais incrementado”, conta.

NOVO DISCO

Em maio ele pretende gravar outro disco de inéditas, “Guitarra de Ouro – Volume 2”. O projeto, aprovado desde o ano passado pela Semear, ainda está em busca de patrocinador. Mesmo assim ele não desanima. O músico, que mudou-se para Belém há dois anos, aos poucos tenta restabelecer a carreira. Fala de reunir Os Populares para uma série de shows. “Eu tô tranquilo. Posso não ter virado mestre, mas todo mundo tem sua hora”, diz.

CONTATO

Para contratar o show de João Gonsalves entre em contato pelos telefones 8138-2846 ou 3259-4936.
(Diário do Pará)
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quarta-feira, 6 de abril de 2011

João Gonsalves, um dos precursores do ritmo (Foto: Marco Santos)
Falar sobre João Gonsalves é um exercício de memória. Especialmente para ele. O músico de 60 anos, 43 de carreira, ainda titubeia ao relembrar, por exemplo, a data de lançamento de seu primeiro compacto, que trouxe as músicas “Lambada da Vassoura” e “Lambada do Paulo Ronaldo”. As composições, de autoria do radialista Paulo Ronaldo, foram gravadas por João e sua banda, Os Populares de Igarapé-Miri, após vencerem o concurso de calouros do programa “Show dos Bairros”. O ano teria sido 1971. De acordo com o músico, e disso ele não tem dúvidas, aquela seria a primeira vez que alguém usaria o termo “lambada” para definir um ritmo.

“Usávamos o termo ‘lambada’ para um tipo de música que teria sucesso na rádio. Era como algo garantido, certeiro”, conta João Gonsalves. “Esse foi o primeiro disco de lambada gravado. Só depois vieram os outros: Vieira, Pinduca...”, diz ele.

O registro do disco que seria o elo perdido entre o carimbó e a lambada se perdeu no tempo. Oficialmente, quem gravou a primeira lambada foi Pinduca: “Lambada (Sambão)”, no álbum “Pinduca no Embalo do Carimbó e Sirimbó – Volume 5”, lançado pela Som Indústria e Comércio S/A, em 1976. Mas isso não quer dizer que não haja controvérsias.

Vieira teria sido o precursor do ritmo com o disco “Lambada das Quebradas”. Apesar de ter sido gravado em 1975, o músico, que era contratado da gravadora Continental, a mesma de Pinduca na época, teve o lançamento do seu disco adiado para 1978, por conta de uma jogada de marketing da empresa.

“Pinduca e Vieira gravaram na mesma época, mas por uma questão de privilégio, o Pinduca, que era o artista de maior nome da Continental, teve seu disco lançado primeiro. Pinduca era melhor de relações públicas”, afirma Pio Lobato, músico e pesquisador de ritmos paraenses.

Em 2002, Pio foi responsável pelo revival do gênero musical, rebatizado de guitarrada, unindo Vieira, Aldo Sena e Curica no grupo Mestres da Guitarrada. “O negócio é que agora todo mundo quer ser o pai da criança”, diz.

PIONEIRO

Entretanto, é inegável que João Gonsalves é um dos precursores do estilo. Popularizada no Brasil e no mundo nos anos 80 sob o rótulo de lambada, a guitarrada é uma técnica na qual a guitarra solo faz o papel principal, embalada por ritmos como a cúmbia, o merengue e o carimbó.

Segundo Pio, João Gonsalves seria uma referência fundamental. Em 1967, no município de Igarapé-Miri, a 78 km de Belém, ele criaria o primeiro grupo de lambada da história da música. João tinha 17 anos.

Músico incrementa estilo com o rock

O grupo começou se apresentando nos bailes e quermesses da redondeza, tocando “jazz”, que na prática pouco tem a ver com o ritmo instrumental americano. “Era carimbó, choro, marcha militar e música caribenha. Tinha também rock e iê, iê, iê, que depois virou o brega. Fizemos sucesso porque era novidade banda elétrica. Já tínhamos guitarra, contrabaixo, bateria, pistão e saxofone”, relembra.

Os Populares de Igarapé-Miri foram a escola de muitos guitarreiros da região, como Oseas e Aldo Sena, que entrou no estúdio pela primeira vez aos 19 anos, como guitarra base da banda, no disco “Lambadas Incrementadas”, lançado pela KTL do Brasil, em 1974.

Nas contas de Gonsalves, foram doze LPs gravados entre as décadas de 1970 e 1980, sendo um compacto pela Pan, em 1974, os oito volumes da série “Lambada Incrementada” pela Copacabana e um pela CBS, em 2000.
“Depois dos anos 80, as coisas já não estavam tão boas. Ficou cada vez mais difícil fazer show. Sempre fazíamos o circuito das casa noturnas de Belém, como Royal, Pagode Chinês, Lapinha, São Jorge, Palácio dos Bares. Quando as bandas começaram a usar o teclado eletrônico, começou a baratear o contrato. Ninguém queria mais saber de conjunto”, fala João.

ESCOLA DO ROCK

Mesmo com o interesse do público renovado graças aos Mestres da Guitarrada, João pouco usufruiu do sucesso. Ficou quatro anos sem gravar, e o jejum só foi quebrado em 2004, com o CD “O Lambadão”, pela Paradoxxx.

Apenas três anos depois, a incursão na era digital rendeu frutos. Com seus vinis fora de catálogo, o CD foi a porta de entrada para reacender o interesse pelo músico. Em 2008, o Instituto de Artes do Pará (IAP), órgão ligado ao Governo do Estado, realizou uma oficina de técnica de guitarrada, ministrada por João.

No mesmo ano, ele gravou o CD de inéditas “Guitarra de Ouro”, com os Populares de Igarapé-Miri, pelo selo Ná Music. O trabalho, com 17 músicas instrumentais, adiciona pitadas de rock ao estilo.

“Existem diferentes escolas de guitarrada. Mestre Vieira, que vem de uma geração anterior à de João Gonsalves, é mais influenciado pela linha do choro, enquanto João aprendeu a tocar com a Jovem Guarda. Ele faz parte da escola do rock”, analisa Pio.

“É como diz a música: é a evolução da lambada”, define João Gonsalves, fazendo referência a uma faixa do seu último trabalho. “Quero meter até distorção na lambada. Já falei para o meu filho (João, ex-baixista da banda punk Delinqüentes e atual integrante do Zuera de Fumanchú) para deixar meu som mais incrementado”, conta.

NOVO DISCO

Em maio ele pretende gravar outro disco de inéditas, “Guitarra de Ouro – Volume 2”. O projeto, aprovado desde o ano passado pela Semear, ainda está em busca de patrocinador. Mesmo assim ele não desanima. O músico, que mudou-se para Belém há dois anos, aos poucos tenta restabelecer a carreira. Fala de reunir Os Populares para uma série de shows. “Eu tô tranquilo. Posso não ter virado mestre, mas todo mundo tem sua hora”, diz.

CONTATO

Para contratar o show de João Gonsalves entre em contato pelos telefones 8138-2846 ou 3259-4936.
(Diário do Pará)

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